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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Ele tinha medo de morrer', diz pai de sargento da PM executado em Caxias

Amigos e familiares de Maria José Fontes e do sargento da PM Douglas Fontes, mãe e filhos, se despedem dos dois na manhã desta sexta-feira. Um ônibus cheio de pessoas chegou ao Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, para o velório e enterro

Por RAFAEL NASCIMENTO 

 Douglas Fontes foi assassinado a tiros por bandidos, em Duque de Caxias, na madrugada desta quinta-feira. A mãe foi reconhecer o corpo e também acabou morrendo, vítima de um infarto
Maria José não resistiu ao ver o corpo do filho, o sargento Douglas. Ela teve um infarto fulminante
Maria José não resistiu ao ver o corpo do filho, o sargento Douglas. Ela teve um infarto fulminante -
Rio - Amigos e familiares de Maria José Fontes e do sargento da PM Douglas Fontes, mãe e filho, se despedem dos dois na manhã desta sexta-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Os corpos são velados lado a lado.

 O pai do policial, Manoel Gonçalves Caluete, de 62 anos, está entre os presentes.

 Ele disse que sempre temeu pela vida do filho e que foi contra a entrada dele para a Polícia Militar. 

O praça foi executado a tiros em Duque de Caxias, e a mãe, ao ver o corpo do filho, sofreu um infarto e não resistiu.


"Ele gostava muito, eu particularmente não era a favor. Orientei muito a não seguir a carreira quando ele fez a prova, pois é um barril de pólvora, tudo pode aconteceu. Ele sabia que um dia poderia sair de casa e não voltar", disse, emocionado.

 Manoel disse que os dois netos já estão sabendo da morte do pai.
Apesar de o PM gostar do trabalho, o pai falou que o filho temia pela vida. "Ele tinha medo de morrer.


 Costumava dizer: 'Pai, eu sei que é perigoso, um cidadão comum está exposto, imagina eu?", contou. "Sou suspeito de falar do meu filho. 

Ele pra mim era um excelente filho, assim como o outro (Rômulo, irmão gêmeo de Douglas)."


'Foi tudo muito rápido', conta pai de PM sobre morte de mãe na cena do crime
Manoel conta que estava em casa, que fica em frente à residência de Maria José, sua ex-mulher, quando uma pessoa ligou e deu a notícia que o filho tinha sido assassinado. 

Os dois foram até a cena do crime juntos.
"Eu fui correndo junto com ela. Ela estava tentando levantar o corpo dele e foi caindo.

 Ainda tentei segurá-la, mas não deu mais. Minha ex-cunhada a colocou no carro e, quando ela chegou na UPA, não suportou", lamenta.


O desenhista de instalações disse estar preocupado com a nora, que acompanhava o policial momento do crime. Ela chegou a prestar um depoimento, mas precisará voltar à delegacia porque não tinha muitas condições de falar sobre o crime.

"Não consegui conversar com a minha nora, ela foi para a delegacia e não a vi mais. Estou para conversar com ela e dar um conforto. Ela se sente culpada porque estava com ele", falou.

Comandante-geral não comparece a velório
Enquanto o sargento Douglas e a mãe eram velados e sepultados em Sulacap, o comandante-geral da PM, coronel Luís Cláudio Laviano, participava de evento não revelado pela assessoria da corporação em um hotel de Copacabana. 

O DIA perguntou o motivo da não ida do oficial ao enterro do militar. De acordo com a PM, o comandante estava participando do evento que já estava agendado e que o comandante do 15 BPM estava lá para representá-lo.
'Carnificina'

Também presente no funeral, o tenente Nilton da Silva, do grupo SOS PM, cobrou respostas das autoridades ao abordar os seguidos assassinatos de policiais no Estado do Rio.

"O que a gente espera é que o estado dê uma resposta efetiva em relação a essa carnificina que estamos sofrendo. Sabemos que o Rio vive uma crise, mas não podemos colocar nela as mortes que estamos sofrendo todos os dias. 

São pais, mães, filhos, sobrinhos e parentes e, infelizmente, não estamos tendo respostas", disse o oficial, que concluiu.
"Hoje, colocamos varias cruzes em frente ao Cfap (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças) para dar um recado, pois a gente não pode sentir que a coisa não pode modificar. 

Queremos mudanças e que alguém interceda pelas nossas vidas".
Amigo de Douglas, o entregador Jonatas dos Santos, de 24 anos, foi outro que se despediu do amigo no Jardim da Saudade:
"Um cara honesto, nunca foi de fazer nada demais. Infelizmente, aconteceu essa tragédia. 


Está sendo difícil pra gente, era amigo dele de infância. Saímos todos os amigos juntos. Ele nunca procurou problemas. Sempre amenizava as brigas e os estresses. Ele sempre comentava que tinha medo de morrer".

 Fonte  O Dia

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